ESTAÇÃO DAS ARTES


︎︎︎ A estação das artes é um projeto de grande impacto urbanístico no centro de Fortaleza, a obra abrange a revitalização de prédios históricos e integra espaços públicos em uma zona de especial importância histórica, cultural e comercial.
Compondo um espaço público de múltiplas possibilidades enquanto centro cultural e parque.
Nesse trecho do litoral, próximo das águas doces perenes do riacho Pajeú, junto ao "Marajaitiba", - morro onde abundavam frondosas árvores e palmeiras -, foram criadas fortificações e construções que
serviram como base para a colonização desse pedaço de território ainda selvagem e habitado até então por comunidades indígenas. Assim a cidade de Fortaleza com o passar dos
anos vai se desenvolvendo e transformando radicalmente a paisagem ancestral de pequenos campos abertos e extensas dunas densamente vegetadas, ora açoitadas pelos ventos alísios, ora sendo transpassadas gentilmente pelo brisas do Aracati, levando refresco e umidade do atlântico rumo às serras.
As mudanças sociais, espaciais, culturais e ambientais norteadas pela tentativa de replicar o mundo europeu nos trópicos, foram tão profundas que no âmbito socioambiental, temos como resultado um território urbano com baixíssima cobertura vegetal e permeabilidade, resultando na formação de ilhas de calor, e abrigando uma sociedade que se dissocia completamente das referências ecológicas locais, de modo que a maior parte dos Fortalezenses não saberão identificar as principais espécies nativas que compõe a nossa flora e fauna originais.
Com essa premissa os jardins da Estação das Artes são pensados em uma visão que busca integrar simbolicamente a presença dos prédios históricos restaurados, com elementos típicos da paisagem original, resgatando a biodiversidade do passado para o coração do centro urbano, buscando trazer a natureza para perto das pessoas. Essa fusão “cidade-natureza”, é uma reflexão utópica que se faz necessária em um contexto atual de emergência climática e ambiental.
Ao todo serão plantadas 440 mudas de árvores e palmeiras de 45 espécies diferentes, e 43.294 mudas de 26 espécies de arbustos e forrações, onde o uso de espécies nativas é notadamente priorizado no projeto, mas em muitos pontos essas espécies locais fazem composição com espécies exóticas não invasoras - aquelas originárias de outros países, mas que se adaptam bem ao ecossistema local, dessa forma os jardins serão contemplados tanto com um pequeno carnaubal e florestas de pajeús, paus brancos e espécies típicas do Ceará. Como também exibirão pontualmente tamareiras e palmeiras azuis, espécies de rara beleza e porte escultórico, originárias respectivamente do oriente médio e de Madagascar.
Na área da praça principal e entre os prédios, as espécies arbóreas serão plantadas de forma agrupada para promover com mais eficiência o sombreamento dos espaços livres, criando um microclima mais ameno e também propiciando a formação de nichos ecológicos para a avifauna local. De modo geral cada canteiro receberá plantas de grande ou médio porte, e forrações baixas, formando assim dois estratos, o superior que promoverá o sombreamento e inferior onde serão plantadas forrações ornamentais, mantendo o campo de visão no estrato médio predominantemente livre para a visualização ampla do espaço público e das fachadas dos prédios históricos.
Aos fundos do complexo há também uma área verde residual, onde é proposta a criação de um "bosque etnobotânico" com um plantio misto, adensado e aleatório de espécies locais de importância ambiental e cultural, como o jenipapo, urucum e batiputá, espécies utilizadas pelos povos indígenas para produção de pigmentos e óleo medicinal/alimentício, entre outras como o jatobá, tucum, timbaúba, piqui, caju, macaúba, e tantas outras plantas com ricas propriedades porém pouco conhecidas e que portanto merecem ter seu espaço para aproximação com a esfera cultural urbana, tendo em vista que só podemos valorizar e preservar aquilo que conhecemos, nesse contexto o bosque será uma potencial ferramenta de promoção de educação socioambiental-cultural.
Dessa forma o paisagismo da Estação das Artes busca integrar a necessidade de restauração ambiental no centro da cidade, com a valorização da paisagem urbana e o estímulo ao fluxo de pedestres e ciclistas, dando destaque e emoldurando a arquitetura existente, resgatando também elementos paisagem natural e cultura cearense.





︎︎︎ 2020







︎︎︎ PRÓXIMO PROJETO


︎︎︎ ARQUIVO E CLIPPING






© BRUNO ARY
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